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Foto: Frederico Falcão Salles

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Lepidoptera no Museu Nacional-UFRJ: uma coleção em reconstrução e um laboratório que acaba de nascer



Seis estudantes e um técnico, além da professora Thamara Zacca, formam a equipe do laboratório vinculado à UFRJ (Foto: LaPel)

Quase cem anos de história para trás, e um enorme desafio de reconstrução pela frente! É essa a realidade que vive a entomologista Thamara Zacca, que desde o final de 2020 é responsável pela curadoria da coleção de borboletas e mariposas do Museu Nacional-UFRJ e fundadora do Laboratório de Pesquisa em Lepidoptera (LaPeL),vinculado ao Departamento de Entomologia. Ela assumiu o posto de docente e pesquisadora na instituição depois do incêndio que, em setembro de 2018, destruiu quase todos os acervos que estavam no Palácio de São Cristóvão, sede do Museu Nacional-UFRJ, inclusive a maior parte dos 186 mil exemplares que faziam desta coleção uma das maiores da América Latina.


"Quando eu fiz o concurso, antes do incêndio, pensei 'se eu passar, estarei no paraíso com uma coleção tão rica'. Mas quando entrei, a realidade era totalmente diferente. Basicamente, eu tentei olhar para frente, porque olhar para o que foi perdido acabaria me desmotivando. Pensei em como eu faria se tivesse entrado em qualquer outra instituição que não tivesse uma coleção de Lepidoptera, eu teria que começar do zero. Decidi encarar dessa maneira", conta ela.


Nestes primeiros anos de trabalho, Thamara vem focando em diferentes frentes, de olho tanto na formação de um novo acervo de lepidópteros, quanto na recuperação da história da antiga coleção e nas possibilidades de colaboração com estudos ainda pouco aprofundados pela ciência brasileira. Em quase três anos, a coleção acumula 12 mil exemplares em via seca, além de material em via líquida ainda em processo de curadoria e contabilização. O laboratório tem investido em pesquisas envolvendo diferentes grupos de lepidópteros. "Apesar de, até então, a minha área de atuação ter sido em taxonomia de borboletas, com a chegada ao Museu Nacional-UFRJ e as novas condições após o incêndio, tenho direcionado as minhas pesquisas para grupos taxonomicamente negligenciados de lepidópteros, especialmente mariposas de tamanho diminuto”, ela explica. "Normalmente, quando os estudantes chegam aqui no laboratório, eles vêm interessados em trabalhar com borboletas. Mas eu tento apresentar outros grupos de lepidópteros para eles, especialmente diferentes famílias de mariposas, com a perspectiva de formar taxonomistas em grupos com um longo histórico de carência de conhecimento biológico básico no nosso país”.


Seis alunos de iniciação científica e um técnico formam atualmente a equipe do LaPeL, e a expectativa de Thamara é que alunos do mestrado e doutorado cheguem em breve, pelo Programa de Pós-Graduação em Zoologia do Museu Nacional-UFRJ, do qual ela é professora. Além do desafio de reconstruir a coleção, a pesquisadora lida também com a falta de um espaço físico adequado para comportar estudantes e ter uma dinâmica tradicional em um laboratório de pesquisa. "A gente está em uma situação muito singular desde o episódio do incêndio. Digo aos meus alunos que hoje, o laboratório é muito mais uma ideia do que um espaço físico. Até sobre isso a gente tem que aprender a ter um novo olhar e uma nova perspectiva. Penso constantemente em como encarar os desafios propostos pela limitação atual de espaço físico e manter os estudantes diariamente motivados a continuar desenvolvendo as pesquisas. Essa situação nos força a pensar em novas formas de trabalhar, outros tipos de pesquisa que podemos desenvolver. Eu tento ver tudo isso como uma oportunidade de fazer coisas diferentes."



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