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Foto: Frederico Falcão Salles

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Danuncia Urban, uma precursora na taxonomia das abelhas


Danuncia se dedicou a ciência por mais de 6o anos (imagem extraída do documentário "Danuncia Urban, 80 anos", produzido em 2013)

Dois mil e vinte três marca os 90 anos de uma das mais importantes precursoras da taxonomia das abelhas no Brasil. Danuncia Urban, nascida em Curitiba, dedicou-se por mais de 60 anos à ciência, deixando um legado não só volumoso, como também de alta qualidade técnica para as próximas gerações de entomologistas.


Sua carreira começou no início da década de 1950 e se estendeu até 2015, rendendo muitas publicações - são 330 espécies descritas por ela - e impactando diretamente na formação de inúmeros outros profissionais por meio do curso de Pós-Graduação em Entomologia da Universidade Federal do Paraná, de cuja fundação ela participou, em 1969.


"Ela tem tratados muito complexos, muito detalhados, é uma das pessoas que mais descreveu espécies dessa região neotropical, com números impressionantes. Ela foi cuidadosamente, no dia a dia, construindo uma carreira muito consistente", destaca a pesquisadora Aline Martins, que conviveu com Danuncia ao longo de sua formação na UFPR. Aline é uma das autoras do livro "Danuncia Urban: a life devoted to entomology", publicado como parte das comemorações pelos 80 anos da pesquisadora, em 2013.


Danuncia é reconhecida como a primeira mulher a se dedicar ao estudo das abelhas no Brasil. No livro "Bees of the World" (2007), de Charles Michener, ela aparece entre os especialistas brasileiros considerados colaboradores-chave, ao lado de Jesus Moure, João de Camargo e Gabriel Melo, e é uma das poucas mulheres mencionadas, juntamente com as colegas Elizabeth M. Exley, australiana, e Luisa Ruz, chilena. Danuncia também está na lista dos taxonomistas de abelhas mais prolíficos do mundo publicada por Claus Rasmussen em 2012.



Danúncia no início dos anos 1960

Filha de imigrantes poloneses, ela fez parte da quarta turma de História Natural da UFPR, nos primeiros anos da década de 1950. Ainda na graduação, ela foi notada pelo Padre Moure, que era professor de Zoologia, e a convidou para desenvolver um projeto de pesquisa com bolsa do CNPq. Poucos anos depois, Danuncia passou a atuar como técnica de laboratório. Nesse primeiro momento, até por volta de 1959, ela estudou aves, seu primeiro contato com a taxonomia. Depois, o foco voltou-se para as abelhas, e ela passou a dedicar a maior parte do seu tempo a dissecar espécimes. Seus primeiros trabalhos foram publicados na década de 1960, como resultado destes estudos sobre o gênero Thygater Holmberg (Apinae: Eucerini). Nas décadas seguintes, ela passou por vários outros gêneros, compondo um trabalho taxonômico robusto, que seguiu até a sua aposentadoria, sem jamais ser interrompido.


"O legado dela são essas descrições não só pelo volume, mas pela forma, muito metódica, muito completa, muito bem feita. Os pares dela, na época, faziam isso esporadicamente, não tinham o compilado, o método rigoroso que ela tinha e que hoje é muito mais comum nos trabalhos científicos. O trabalho dela tem um pioneirismo também nesta forma de fazer", avalia Aline.


Ainda na década de 1960, Denuncia começou a lecionar, embora não tenha, nesta época, cursado o doutorado. O título de doutora honoris-causa veio depois, na década de 1990, concedido pela UFPR. Após a sua formação, foram cinco décadas dedicadas ao ensino da entomologia, estendendo seu legado à formação de centenas de cientistas. "A professora Danuncia é extremamente carismática. Aquele tipo de pessoa que todo mundo conversa, todo mundo conhece, todo mundo sabe quem é. Na Universidade, ela procurava essa interação o tempo todo, sempre muito sorridente. Então, desde que eu comecei a frequentar o departamento de Zoologia, na graduação, eu já conversava com ela. Todos nós, quando tínhamos dúvidas acadêmicas, recorríamos a ela."


A dedicação de Danuncia ao trabalho se contrasta fortemente com os hábitos da época, em que as poucas mulheres que chegavam a cursar a universidade eram desencorajadas a seguir carreira. Ela, que jamais interrompeu suas atividades como pesquisadora, marcou seu nome na entomologia apesar das diferenças de tratamento típicas da época. "Ela, por exemplo, nunca foi pra um congresso! Ela nunca foi pra fora do Brasil! O legado dela começa por aí, por ser uma mulher que se formou em História Natural na década de 1950, quando ainda não era comum uma mulher seguir a carreira acadêmica no Brasil, e abriu caminhos para tantas de nós", avalia Aline.


Assista, neste link, ao documentário que celebrou os 80 anos de Danuncia, em 2013.



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