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Foto: Frederico Falcão Salles

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Sistemática de insetos no Brasil: mais volume de informação e padrões mais amplos de conhecimento

  • sbe424
  • 4 de out. de 2023
  • 3 min de leitura

Com imensa diversidade de insetos, Brasil chama atenção pela quantidade de especialistas e pela qualidade das pesquisas produzidas nas últimas décadas (Foto: Frederico Salles)

Ela existe desde que o mundo é mundo - ou quase! - mais foi a partir da segunda metade do século XX que a sistemática foi se construindo da forma como a vemos hoje: a ciência fundamental para se organizar as inúmeras informações que temos sobre a diversidade biológica. E o que dizer do "recorte 2023" da sistemática de insetos feita no Brasil, depois de tantas décadas de amadurecimento e de avanço tecnológico?

"Podemos dizer que a sistemática brasileira é pujante, é muito forte, existem especialistas em todos os grandes grupos de insetos, que são muitos, uma diversidade imensa, e o Brasil chama a atenção pela quantidade de cientistas e pela qualidade de sua pesquisa", diz o professor Eduardo Almeida, da USP, onde coordena o Laboratório de Biologia Comparada e Abelhas (LBCA).

Convidado da SBE para uma conversa sobre as conquistas e desafios desta área da entomologia hoje no Brasil, Eduardo chama atenção para dois pontos específicos do momento que vivemos hoje. Primeiro, o destaque que o país tem, em nível mundial, no que diz respeito ao volume e à qualidade dos trabalhos feitos nos últimos anos. "Essa pesquisa, apesar de ter aplicações, é essencialmente básica. Em vários países pelo mundo, grandes centros de produção científica na Europa, Ásia, Austrália e EUA, não cessaram o investimento em pesquisa básica, mas passaram a dar mais peso ao que tem uma aplicação mais direta. O reflexo disso é que embora existam grupos que fazem trabalhos em sistemática em países mais desenvolvidos, proporcionalmente, a sistemática é menor dentro do contexto destes países, o que não acontece no Brasil."

Um ponto menos positivo relaciona-se ao desenvolvimento trazido pela tecnologia que, apesar de potencializar a pesquisa, eleva os custos para geração e análise de dados. Num país com pouco fluxo de recursos, o resultado é um atraso na comparação com outros centros de produção de conhecimento, especialmente em áreas que dependem mais do avanço tecnológico. "Nós estamos sim um passo atrás em alguns aspectos, mas o desenvolvimento tem sido bastante rápido nestes últimos dez a quinze anos. Isso traz um impacto que é o fato de que, além da descrição do conhecimento sobre a diversidade dos grupos que existem no Brasil, dados genéticos e mais recentemente genômicos têm aumentado bem a chance de nós enxergarmos padrões mais amplos. A gente tem conseguido obter como produtos desta pesquisa classificações biológicas que têm tido cada vez mais estabilidade e poder de predição. São trabalhos que têm lidado com a compreensão de como comportamentos e morfologias diferentes surgiram ao longo da história."

Para o professor Eduardo, este é um momento feliz para a sistemática de insetos não só pelo aumento no volume de conhecimento, mas pelo tipo de questões que vêm sendo exploradas de forma muito eficiente. Depois de destacar a Universidade Federal do Paraná (UFPR), com o trabalho do Padre Moure, a UNESP de Botucatu, com as pesquisas de Nelson Bernardi, e a própria USP, com professor Nelson Papavero, como bases históricas fundamentais para a ciência que se faz hoje, o professor comemora a expansão do número de grupos de pesquisa com forte atuação no Brasil.


"Se formos pensar em grupos de insetos, quase todos vão ter pesquisas atuais com aspectos que chamam bastante atenção. Mas eu acho que, pensando em grandes linhas, a pesquisa com grandes padrões de diversidade, a expansão do conhecimento em biomas ainda pouco explorados merece destaque. Existe, por exemplo, um projeto sendo liderado pelo José Albertino Rafael, no INPA, em Manaus, com coleta de grande quantidade de material biológico em torres no meio da Floresta Amazônica, que é fantástico."

Os estudos recentes com fósseis de inseto no Brasil também figuram, na opinião do professor, como destaques das pesquisas atuais. "Dois exemplos que eu trago são os da UFPR, com o Gabriel Melo, e da Universidade Federal do ABC, com Guilherme Ribeiro, que tem sido interessantíssimo. O Guilherme está fazendo pesquisas com fósseis do Crato, no Ceará, envolvendo questões histórico-científicas e sociais."

"No Rio de Janeiro, um exemplo são pesquisadores trabalhando com insetos aquáticos e cigarrinhas, como a professora Daniela Takiya, que é brilhante. A pesquisa com formigas também tem um destaque muito grande no Brasil, com o Rodrigo Feitosa, na UFPR, o Beto Brandão e a Gabriela Camacho, no Museu de Zoologia da USP." O professor ainda destaca a pesquisa feita no Nordeste e em Minas Gerais, com um grande aumento de pesquisadores de excelência.

Muitos desses pesquisadores, Eduardo faz questão de destacar, trabalham com colaborações internacionais, outra característica forte da pesquisa desenvolvida no Brasil nos anos mais recentes. "Temos muitos pesquisadores que vão para o exterior fazer seu doutorado, por exemplo, e voltam com conhecimento e conexões muito relevantes. Isso, sem dúvida, oxigenou nosso ambiente científico nas últimas décadas, e isso vale, claro, também para a sistemática."



 
 
 

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